Ioga ou Yoga

Ioga ou Yoga é uma prática de meditação que associa o bem-estar mental ao condicionamento físico.

  • Ioga ou Yoga

Ioga ou yoga é um conceito que se refere às tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. A palavra está associada com as práticas meditativas tanto do budismo quanto do hinduísmo. No hinduísmo, o conceito se refere a uma das seis escolas (astika) ortodoxas da filosofia hindu e à sua meta rumo ao que esta escola determina como suas práticas.
 
Os principais ramos da ioga incluem a raja-ioga, carma-ioga, jnana-ioga, bacti-ioga e hata-ioga. A raja-ioga, compilada nos Ioga Sutras de Patanjali e conhecida simplesmente como ioga no contexto da filosofia hinduísta, faz parte da tradição Samkhya. Diversos outros textos hindus discutem aspectos da ioga, incluindo os Vedas, os Upanixades, o Bagavadguitá, o Hatha Yoga Pradipika, o Shiva Samhita e diversos Tantras.
 
A palavra sânscrita yoga tem diversos significados, e deriva da raiz yuj, que significa "controlar", "jungir" ou "unir". Algumas das traduções também incluem os significados de "juntando", "unindo", "união", "conjunção" e "meios". Fora da Índia, o termo ioga costuma ser associado tipicamente com a hata-ioga e suas asanas, posturas, ou como uma forma de exercício.
 
Um praticante avançado da ioga é chamado de iogue.
 
Há dezenas de linhas diferentes de ioga no mundo, que propõem não necessariamente caminhos contraditórios, mas sim diversos caminhos para alcançar o mesmo objetivo: o Samádhi, ou Iluminação da Consciência.
 
Vários são os métodos e escolas para se atingir esta meta, porém ela sempre é o referencial. As escolas mais antigas utilizam-se de métodos estritamente técnicos. As escolas mais modernas tem uma conotação tendendo mais ao espiritualismo, fruto da difusão do Vedanta na época medieval. Desenvolveu-se ao longo da história no oriente, particularmente na Índia, e que nos dias de hoje está amplamente difundido no mundo todo, inclusive no ocidente.
 
Algumas linhas de ioga são: Ashtanga Vinyasa Yoga, Bhakti Yoga, Hatha Yoga, Iyengar Yoga, Jñana Yoga, Karma Yoga, Kriya Yoga, Raja Yoga, Raja Vidya Yoga, Siddha Yoga, Tantra Yoga, Kundalini Yoga, Prakriti Yoga entre outras.
 
Na Índia, país de origem da ioga, os mestres Krishnamacharya, Swami Sivananda, Gurudeva, Swami Vivekananda e Sri Aurobindo são algumas das principais referências.
 
Ioga Sutra de Patañjali
 
A obra Ioga Sutra de Pátañjali (300 a 200 a.C.) é um tratado clássico da filosofia ióguica e contém seus principais aspectos. O sistema filosófico do Ioga como exposto no Ioga Sutra aceita a psicologia, metafísica e fenomenologia da escola Samkhya, por isso pode-se dizer que são duas escolas irmãs, diferenciando apenas no uso do Íshvara (Senhor, um Purusha nunca afetado pela Prakrti) que o Ioga usa para uma pratica chamada Íshvara pranidhána, entretanto o Samkhya não consegue provar ou não provar sua existência.
 
A obra foi escrita em sânscrito, e oferecem uma série de desafios, pois os sutras (literalmente "fio condutor") são aforismos sintéticos, curtos, alguns são tão sintéticos que chegam a ser obscuros. Feitos assim, eles deviam ser decorados pelos alunos e discípulos. E além disso há no texto o uso de diversos termos chave sem sua formalizações, principalmente provenientes do sistema Samkhya que é tomado como base. Por esses motivos o Ioga Sutra se torna de difícil entendimento por aqueles que não fazem parte da cultura do ioga. Assim o Ioga Sutra foi vastamente traduzido e interpretado durante séculos das mais diversas maneiras, por comentadores. O primeiro comentador, além de mais famoso e autorizado, do Ioga Sutra é Vyása em seu Iogabasya, obra de 500 a 850 d.C.
 
Ashtanga: os oito pilares da ioga clássica
 
Referidos como componentes ou etapas, são passos que se sobrepõem à medida que se avança no caminho. São:
  1. Yama ou refreamentos
    1. Ahimsa ou não violência
    2. Satya ou não mentir
    3. Asteya ou não roubar
    4. Brahmacharya ou não dissipar a sexualidade
    5. Aparigraha ou não cobiçar
  2. Niyama ou auto-observações
    1. Saucha ou limpeza
      1. do corpo: alimentação, limpezas corporais (shat-karma) e pranayama.
      2. da mente, do intelecto, das emoções
      3. do lugar em que se pratica ioga
    2. Santosha ou autocontentamento
    3. Tapas ou autosuperação
      1. esforço do corpo, da fala e da mente
    4. Svadhyaya ou autoestudo
    5. Ishvara pranidhama ou autoentrega
  3. Asana ou posições psicofísicas
  4. Pranayama ou expansão (ayama) da força vital (prána) através de exercícios respiratórios
  5. Pratyahara ou abstração dos sentidos externos
  6.  Dharana ou concentração mental
  7. Dhyana ou meditação
  8. Samadhi ou absorção meditativa
Obstáculos: Nove dispersões mentais
 
Patañjali enumera nove obstáculos ao yoga (Sutra 1.30) que são dispersões ou oscilações mentais, embora outros fatos não enumerados também possam ser considerados obstáculos.
 
  1. Doença, desequilíbrio do corpo-mente
  2. Apatia, inércia da consciência
  3. Dúvida, conhecimento que oscila entre os pares de opostos
  4. Negligência, falta de investigação dos meios de se alcançar o Ioga
  5. Preguiça, ausência de esforço do corpo e da mente
  6. Incontinência, apetite da consciência pelo gozo dos sentidos
  7. Percepção errônea ou noção incerta, vem do conhecimento errôneo (viparyaya)
  8. Não-realização das etapas, é a falha em se alcançar os estados do Ioga
  9. Instabilidade, é a não estabilização da consciência
 
Aparecem junto com essas dispersões (Sutra 1.31):
  1. Sofrimento
  2. Angústia, devido a não satisfação de um desejo
  3. Agitação do corpo
  4. Inspiração, uma respiração agitada, sem ritmo, não-profunda, rápida, irregular é sintoma de uma mente ainda dispersa
  5. Expiração
Para preveni-las, deve-se praticar disciplina (abhyása) sobre um princípio qualquer.

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