Aids avança em mulheres acima dos 50 no Brasil

Aids avança em mulheres acima dos 50 no Brasil, alerta especialista

  • Aids avança em mulheres acima dos 50 no Brasil

Até 2013, a aids não era doença de notificação obrigatória no Brasil – apesar das 718 mil pessoas vivendo com o HIV no país. Nos últimos 10 anos, a infecção do vírus subiu cerca de 2%, sendo que as maiores taxas de crescimento da doença são registradas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Amazonas e Rio de Janeiro. Enquanto isso, as regiões Norte e Nordeste respondem pelo maior crescimento de casos (com 92,7% e 62,6%) e o maior índice de mortalidade por aids nos últimos 10 anos (60% de crescimento e 33,3% respectivamente). Descubra porque as mulheres, principalmente as que estão na faixa dos 50 anos, devem se preocupar especialmente com isso.
 
1) Transmissão acontece mais pelo sexo
 
Dos casos notificados de HIV+ em mulheres, 91,2% tem a transmissão sexual como principal causa e 96,6% das mulheres contaminadas vivem relação heterossexual. No mundo, a cada minuto, uma mulher é infectada. Fatores biológicos tornam a mulher de duas a quatro vezes mais suscetível ao HIV do que homens.
 
2) Doença avança em mulheres heterossexuais, casadas e acima dos 50 anos
 
Mulheres acima de 50-55 anos, casadas, heterossexuais, na sua maioria com ensino fundamental incompleto. Este é o grupo da população brasileira, em que a doença mais tem avançado nos últimos anos, como explica a infectologista Simone Tenore, da UNIFESP (Universidade Federal do Estado de S. Paulo) e do CRT-Aids (Centro de Referência e Treinamento em aids, do Estado de S. Paulo):
 
3) Preconceito adia tratamento
 
A especialista explica que essas mulheres geralmente “não foram habituadas ao uso de medidas preventivas e acreditam na fidelidade de seus cônjuges”. Para Tenore, o diagnóstico e o início do tratamento são tardios entre estas mulheres por causa do estigma e preconceito que a doença ainda pode gerar.
 
4) Epidemia não está controlada no Brasil
 
Em 1990, o Brasil registrava 1 caso de HIV+ em mulheres a cada 15 homens; a partir de 1991-92, houve um crescimento progressivo entre as mulheres, chegando a 2001 com 1 caso a cada 1,7 homens. Segundo estatísticas globais, as mulheres formam o grupo de mais rápido crescimento da infecção, somando já cerca da metade de todos os casos de aids no mundo. Nessa faixa etária, a doença é também relacionada à depressão, baixa estima e forte sentimento de culpa – fatores que afastam as mulheres do diagnóstico e do tratamento precoce.
 
5) Juventude, fidelidade e prevenção
 
“As mulheres mais velhas – assim como as muito jovens – acabam acreditando que a fidelidade é proteção contra a doença e vem descobrir a infecção tardiamente – quando os primeiros sintomas da doença, que surgem geralmente após 10 anos da contaminação. Estas mulheres acabam deixando a sua própria saúde em último lugar na lista de suas prioridades”, afirma a infectologista.
 
Dados mundiais indicam que a infecção de mulheres entre 15-24 anos é duas vezes o número de homens infectados na mesma faixa etária. No Brasil, esta é também a faixa etária mais acometida. Das gestantes entre 15-19 anos, 10,8% são HIV+ e a maioria sabe de sua condição depois de ficarem grávidas durante os exames de pré-natal. Assim como na faixa acima dos 50 anos, a maioria das gestantes infectadas entre 20-29 anos têm ensino fundamental incompleto.
 
Ainda não existe vacina contra HIV. A forma mais eficaz para combater a doença é a prevenção, evitando os chamados comportamentos de risco, como manter relações sexuais sem proteção e compartilhar seringas.
 
Fonte
https://br.mulher.yahoo.com/blogs/sexo-oposto/aids-avanca-em-mulheres-acima-dos-50-no-brasil-152151597.html

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